Siga nossas redes sociais!

Destaques

Dead Ringers – Gémeas que testam os limites da ciência

Avatar photo

Publicado

a

Dead Ringers

(Não contém spoilers da minissérie) Rachel Weisz é a protagonista da série “Dead Ringers”, um thriller psicológico da Amazon Prime. A atriz interpreta as irmãs Mantle, gémeas completamente idênticas desde os dedos das mãos até aos dedos dos pés. Ambas são prestigiadas ginecologistas que vivem fascinadas com a vida humana. Decididas em conseguir uma inovadora solução para revolucionar a forma como as mulheres dão à luz, puxam os limites em todas as decisões e desafiam a ética médica.

Dead Ringers tem como protagonistas Eliott Mantle, mais a extrovertida, histérica e arrogante das irmãs. Muito sedutora e sem medos, consegue sempre aquilo que quer. Beverly, é a gémea mais tímida e séria que vive sempre com moderação. Sempre unidas, as gémeas viveram sempre uma para a outra. A série começa com as duas a conversar sobre o trabalho, numa obsessão fanática pelo universo feminino. Algo que nunca é deixado de lado. Aliás, as cenas demasiadamente gráficas sobre partos é algo recorrente durante os seis episódios da série. Sangue, bisturi, gritos, e linguagem como fertilidade, aborto, útero, e tudo o que engloba o nascimento de um bebé é muitas vezes abordado. Sem tabus e sem moderação. Como se o espectador estivesse presente numa aula de medicina.

A minissérie de seis episódios é baseada no filme de culto de 1988, de David Cronenberg, com Jeremy Irons a interpretar os dois gémeos. O filme foi revolucionário, inspirado no livro “Twins” de Bari Wood e Jack Geasland. A premissa mantém-se nesta adaptação, mas com pequenas diferenças.

Na adaptação da Prime Video, Rachel Weiz interpreta perfeitamente estas duas personalidades opostas, num verdadeiro jogo de espelhos e de sobrevivência. Existe algo mais forte que une estas duas irmãs, mais do que o amor fraternal. Eliott e Beverly dividem tudo nas suas vidas e sabem todos os segredos da outra. Dividem casa, trocam de lugar na profissão, dividem as drogas e até os companheiros. Mas quando Beverly se apaixona por Genevive (Britne Oldford), uma atriz em aspiração, o mundo de Eliott começa a ruir. Consumida pelo ciúme e numa crise existencial, tenta por todos os meios chamar a atenção da irmã. Eliott pode ser a mais explosiva, mas Beverly também tem os seus segredos e egoísmos. Pode dizer-se que são os dois lados da mesma moeda. Em certos momentos, nestes devaneios das protagonistas, temos dificuldades em perceber os limites da sanidade mental. O que é alucinação ou realidade?

As irmãs procuram a todo o custo angariação de fundos para um projeto revolucionador, onde as serão responsáveis pela forma como as mulheres darão à luz no futuro. Tudo em nome da ciência, mas que põe em causa a ética humana. Este é outro dos dilemas abordados na série. A criação de vida nos locais mais inóspitos. Será possível e correto desafiar assim a ciência?

Os episódios desenrolam-se principalmente em ambientes escuros, o que contrasta com a narrativa da série, na abordagem de “dar à luz”. A escuridão presente nos espaços onde decorre a ação, colmata as decisões tomadas que não são muito apropriadas. As personagens secundárias dão relevo à série. Além da paciente Genevive, temos Rebecca, a milionária e investidora do projeto, sempre muito segura de si e Greta, a funcionária da casa das irmãs que tem um comportamento muito peculiar.

Nesta montanha russa de emoções, Rachel Weisz segura bem esta série num retrato de vida bizarra destas gémeas que, por vezes, pode ser impressionante e perturbador. Contudo apesar desses momentos mais tensos, existe também cenas de humor. “Dead Ringers” é uma série de tom mais negro e imoral, diferente do que estamos habituados a ver, e que consegue prender o espectador neste ciclo vicioso de sedução.

"Licenciada em Ciências da Comunicação, adoro ler e escrever. Sou lontra de sofá, amante de filmes e séries de televisão, vejo tudo o que posso. Aprendiz de geek, vivo num mundo de fantasia. Adoro a vida e ainda há tanto para descobrir."

Mais artigos