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Entrevista Exclusiva a David Angelo Roman, ilustrador de Rick and Morty

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Estreia em exclusivo, hoje na HBO Portugal, os recentes episódios da série de sucesso, Rick and Morty. A quinta temporada promete continuar com toda a qualidade das anteriores, com mais ficção científica, humor e aventuras tresloucadas.

Rick and Morty é protagonizada por Justin Roiland (também criador de Solar Opposites), Sarah Chalke, Chris Parnell e Spence Grammer. Dan Harmon, juntamente com Roiland, são os produtores executivos da multi galardoada animação da Adult Swim, que conta as aventuras de um génio cientista sociopata que arrasta o neto tímido para aventuras insanas e perigosas pelo universo. Rick Sanchez vive com a família da filha Beth, com o genro Jerry e aos seus netos, Summer e Morty. As primeiras quatro temporadas estão também a partir de hoje disponíveis no serviço de streaming.

Usando a estreia da nova temporada como pretexto, tivemos a oportunidade de estar à conversa com David Angelo Roman. O David cria arte para o universo dos comics e cards de Rick and Morty e, além de falar um pouco sobre a estética da série, deu-nos os seus palpites para história da nova temporada. Salienta ainda que existe um universo mais extenso de Rick and Morty para lá da série e ofereceu conselhos valiosos para quem quer começar no mundo dos comics. Queremos agradecer à HBO Portugal a oportunidade e ao David pelo seu tempo.

Vítor Rodrigues: Como é que um artista que começa a fazer arte de rua, e tem o DaVinci como inspiração, acaba a desenhar comics como Rick e Morty?

David Angelo Roman: O meu irmão mais novo e o meu irmão mais velho é que eram os colecionadores de comics, eles amam comics. Eu queria brincar com os meus amigos, praticar desporto, jogar futebol, correr, jogar basquete, mas era bom em arte… Mais tarde na vida, quando saí do serviço militar, decidi criar o meu próprio negócio. Comecei a pintar murais e frescos. Os amigos do meu irmão, que eram artistas de comics, diziam que deveria tentar ser um artista de comics, mas eu nunca pensei nisso. Mas depois pensei, por que não? Vou a uma daquelas Comic Cons e serei um artista/fã. Montei uma mesa com toda a minha arte e esta esgotou em poucas horas, vendi toda a minha arte muito rápido. As pessoas questionaram porque não tinha nada publicado e perguntaram se queria fazer arte para Star Wars. Então comecei a fazer cartões colecionáveis ​​para Star Wars, The Walking Dead e Marvel. Posteriormente ofereceram-me a oportunidade de fazer alguns cartões com Rick e Morty… pensei que seria divertido e, aparentemente, suscitei interesse de alguém. Perguntaram se queria fazer uma capa de comics e foi assim que tudo começou. Fiz minha primeira capa de comics do Nº 37 de Rick e Morty.

VR: Que tipo de relacionamento tem com os criadores da série? Visita-os regularmente, ou são dois mundos diferentes?

DAR: São definitivamente dois mundos diferentes. Tudo o que acontece na série é através do Adult Swim. Os negócios de Adult Swim e Rick e Morty são separados. Um é controlado obviamente por Dan Harmon e Justin Roiland e Adult Swim é um “animal” completamente diferente. Costumava ver o tag Adult Swim em tudo que Rick e Morty vendia internacionalmente, etiquetas nas t-shirts, bonés e brinquedos. Agora há uma grande quantidade de produtos internacionalmente que não têm o símbolo Adult Swim, apenas Rick e Morty. Então, no que toca à série, não interajo muito com eles porque a história dos comics é separada. Mas o que é interessante é que os comics fazem parte da série, porque tem episódios que não estão na televisão mas estão na história dos comics. Na série falam sobre matar vampiros, em que são expulsos da escola porque os acusaram de serem os responsáveis por matar vampiros, mas o espectador nunca os vê. Tudo isso está nos comics. É tanta informação na série, tantas piadas, tantas coisas que não fazem sentido. A verdade é que estão a fazer referência a algo nos comics. Como as aventuras que tiveram com os Vindicators, em que mostram apenas uma aventura. Na história dos comics há várias aventuras com eles.

VR: Rick e Morty não tem grandes regras, pode criar quase tudo que quiser, como se não houvesse limitações no que toca a alienígenas, por exemplo… Num mundo como assim, tem alguma criação favorita? Alguma personagem especial?

DAR: Sempre que desenho, seja um trabalho para uma história em comics ou gráficos para um jogo, tento ter certeza de que a imagem que desenhar tenha uma história a acontecer. Quando alguém vê a imagem, esta não está estagnada. “O que é que o Rick está a planear?” ou “o Morty parece apavorado, parece que está prestes a chorar”, algo está a acontecer. Tentei ter a certeza de colocar uma história por trás de tudo…

VR: Menciona muito o Rick. Vou assumir que é dos seus favoritos, certo?

DAR: Sim, ele é meu favorito. Acho que muitas pessoas gostam mais do Rick porque ele não precisa de mentir. Se isso ofende as pessoas, ele não quer saber. Eu sei que no mundo de hoje em dia as pessoas querem ser brutalmente honestas umas com as outras, mas se forem brutalmente honestos como o Rick, a família deixa de falar com eles, vão perder o emprego… Rick definitivamente não é uma personagem politicamente correta. Vai dizer o que quiser e não quer saber se vão gostar ou não.

VR: Li numa entrevista que duas das suas personagens favoritas são o Batman e o Wolverine. Engraçado como Rick é quase o oposto dessas personagens tão silenciosas …

DAR: Rick é extremamente inteligente, mas ao mesmo tempo pode ser realmente sombrio. Eu gosto de personagens sombrias. Uma coisa que têm em comum é que são personagens sombrios, são um tipo de underdogs de que não esperamos muito. Olhamos para o Rick e pensamos que é apenas um velho mal-humorado, como é que pode ser um tipo tão inteligente?!

VR: Eu sei que não tem informações privilegiadas sobre a nova temporada, que em Portugal vai estrear exclusivamente na HBO Portugal. Mas como espectador, há alguma coisa que queira ver que ainda não viu na série? Pelo que o trailer nos diz, a escala está a aumentar cada vez mais…

DAR: Bem, a única coisa que penso que vou ver é o Conselho de Ricks. Acho que provavelmente veremos o Evil Morty, talvez no último episódio da temporada… Acho que o Evil Morty é na verdade o Evil Rick no cérebro de Morty. Acho que transferiu a consciência e o Evil Morty morreu… Não sei. As pessoas perguntam-me muitas vezes se Beth é um clone ou a Witch Beth é que é o clone… Pessoalmente, acho que o clone é a Warrior Beth, a verdadeira Beth é aquela que está em casa. A razão porque penso isso é porque a Warrior Beth é tão fora da personagem original, apesar de ter as memórias todas da Beth. Mas penso que a melhor aposta seja o regresso de Evil Morty… ou Squanchy e Mr. Poopybutthole.

VR: Para quem não conhece a série, ouvir-nos falar destes nomes deve ser muito estranho… No mundo dos comics, alguma coisa recentemente que tenha gostado especialmente?

DAR: Vou ser honesto: tenho voltado a ler os comics antigos. Os novos que estão a sair não tenho acompanhado, estou muito ocupado. Tenho visto comics vintage, velhas histórias como Macross ou Robotech. Tenho esses comics desde sempre e comecei a lê-los apenas para me distrair um pouco. O engraçado sobre os comics antigos é que são muito nerds. Especialmente os mais antigos são muito inocentes.

VR: Eu sei que caiu um pouco por acidente neste mundo dos comics. Mas para quem quer tornar-se num artista, que recomendação especial quer deixar? O que precisam as pessoas de fazer hoje em dia?

DAR: As pessoas vêm à minha mesa nas convenções e dizem: “Posso mostrar a minha arte e dizer-me o que acha? Quero ser um artista de comics”. Mostram-me e parece um bom desenho, muito bom. Pergunto quanto tempo demorou e dizem-me que o fim-de-semana inteiro. E eu digo, provavelmente a 90% das pessoas, que para ser um artista de comics tem de ser capaz de desenhá-lo em 30 minutos. Se não conseguirem, não vão contratá-lo. Muitas pessoas demoram muito tempo, tentam que fique perfeito, mas o que não percebem é que neste mundo preocupam-se mais com a velocidade de ação… Precisam de criar uma página inteira, em formato final, por dia. Se quiserem ser um artista de capa, podem demorar um pouco mais, mas na maioria das vezes, os artistas de interiores são os que têm a primeira oportunidade de ser um artista de capa. Para ser um artista de que eles precisam, têm de desenhar com velocidade… os editores precisam de saber que conseguem terminar uma página inteira por dia, que pode conter cinco ou seis caixas de imagens, com tinta final, na perfeição. Se não ficar perfeito, o editor liga-vos e não têm o fim de semana de folga… têm de se ser rápidos e capazes de desenhar o mesmo personagem com a mesma aparência de todas as vezes.

VR: Eu tenho de perguntar isto: porque é que em Rick and Morty os olhos são como pequenos asteriscos? Existe um motivo específico para isso?

DAR: Acho que eles queriam ter um pouco de arte “crappy”, que pareça estranho e horrível. Queriam que as pessoas se questionassem por que raio os olhos são assim? E, na verdade, perguntam muito. Queriam que não parecesse perfeito, que os olhos fossem aquela coisa imperfeita. Algumas pessoas dizem que se parecem com pequenos ânus… queriam que parecesse uma porcaria, que não parecia realista. Ninguém tem olhos assim e acho que eles queriam fazer a arte parecer diferente.

VR: O que podemos de si no futuro? Vai continuar neste projeto?

DAR: Sim. Estarei a trabalhar em alguns outros projetos também. Infelizmente, muitos dos projetos em que trabalho, até obter a aprovação final ou uma data de lançamento, não posso falar deles.

 

 

Um dinossauro no mundo das séries. Coleciona Blu-Rays, adora Legos, completa jogos a 100%, devora podcasts e ama tudo que envolva não sair de casa.

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