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Anime & Manga

TODOS NÓS JÁ VIMOS ANIME, SABIAS?

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Existe hoje uma grande parte de portugueses que se considera Otaku e consome animes e mangás com bastante regularidade, numa comunidade que está em profundo crescimento principalmente nas camadas mais jovens, que desde cedo conseguem distinguir a diferença entre desenhos animados e animações japonesa e, portanto, para estes, não será grande novidade aquilo que vou mostrar ao longo deste artigo. Contudo, principalmente para os nascidos entre os anos 70, 80 e 90, numa era onde a internet ainda não fazia parte de todas as habitações (e muitas vezes nem televisão a cabo), a informação chegava de forma mais lenta e na maior parte das vezes através dos canais generalistas ou das bibliotecas municipais, onde conseguíamos alugar filmes, CDs e livros e a partir daí usufruir das novidades que existiam num mundo que se tornava cada vez mais tecnológico. Realmente, com o conhecimento a fluir de forma bem mais branda, seria difícil sabermos distinguir um desenho animado de um anime. Afinal de contas são ambas animações, com bastante entretenimento, conteúdo educativo, ação e com personagens que entravam em nossa casa para se tornarem nos nossos ídolos de infância.

A verdade é que em Portugal, desde muito cedo, foi-nos apresentado este fenómeno nos programas da manhã destinados às crianças. Principalmente na SIC e na TVI, mas também na RTP conhecemos os primórdios da animação japonesa nas nossas televisões com a mítica série Heidi e até, pasmem-se, A Abelha Maia, produzida pelos estúdios Nippon Animation, fazem parte do leque variado de transmissões que se transformaram em ícones da nossa infância e até da nossa vida.

Provavelmente já estás a questionar o que é verdade ou não, aliás até eu enquanto escrevia e pesquisava para este artigo me cruzei com algumas memórias, como “A Joaninha, voa, voa / No teu cavalo…” que passava no início dos anos 90 na RTP2, uma história adaptada do mangá escrito por Mann Izawa e ilustrado por Yumiko Igarashi, ou Os Cavaleiros do Zodíaco que me fizeram questionar pela primeira vez o que era isto dos signos e qual era o meu.

Anos mais tarde, no conhecido programa infantil Batatoon e também no Buereré iniciou, aquilo que considero a maior revolução no que concerne a animação japonesa em Portugal, com alguns dos animes mais memoráveis da geração. Entre eles, temos obviamente a Sailor Moon, ou em português, As Navegantes da Lua, que “pelo poder sagrado do prisma lunar” nos acompanharam em mais de 100 episódios e se tornaram rapidamente na série de maior sucesso que gravávamos com todo o carinho nas nossas cassetes VHS para mais tarde voltar a assistir. Também um dos maiores da sua época, Samurai X, revelava as suas fortes raízes com a cultura japonesa, quando vimos Ruroni Kenshin na sua jornada de redenção e claro, que não podia deixar de mencionar aquela que foi “A” estrela principal em Portugal e que marcou o passo para a difusão dos animes e da comunidade Otaku: Dragon Ball.

É inegável o quanto este influenciou as nossas vidas desde que cá chegou em 1995 e até hoje mantém os mesmos fãs que cresceram com as aventuras de Songoku, em lutas do bem contra o mal para reunir as sete esferas do Dragão. Lembro-me perfeitamente de a papelaria perto da minha escola vender fotocópias das nossas personagens favoritas por 20 escudos, de sair a correr das aulas e até fingir uma dor de barriga ou outra para ver o episódio seguinte e comprar alguns fatos de treino do Dragon Ball nas feiras locais para exibir orgulhosamente aos meus colegas e amigos.

De facto, a partir daqui as animações japonesas ganharam ainda maior folego e com a expansão da TV por cabo e com o Locomotion ou até o Canal Panda, difundiram-se outros grandes nomes que ainda hoje recordamos com saudade: Ranma ½, Evangelion, Doraemon Ninja Hattori, Sakura, A Caçadora de Cartas, Yu Yu Hakusho e até mesmo Campeões: Oliver e Benji (que não conseguimos ler sem cantarolar “são os magos da bola”).

Mais tarde e já chamados de anime com propriedade, surgiram os fenómenos Naruto Shippuden, One Piece e Bleach na SIC Radical para alimentar a nossa criança interior que continuava a procurar o estilo de animação que afinal, nos tem vindo a acompanhar desde os primórdios da televisão em Portugal e por isso mesmo, não seria de estranhar que esta comunidade continuasse a crescer a olhos vistos, como temos vindo a assistir e se expandissem a outras áreas como por exemplo, o Cosplay e até a eventos dedicados à cultura japonesa como é o caso do Iberanime. Mas a realidade é que tudo começou um dia, de forma inocente, numa TV bem quadrada e gorda e com má sintonização, mas que nos transportava para mundos imaginários que marcam a nossa vida até aos dias de hoje.

É esta a força dos animes.

 

 

 

 

 

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