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The Last of Us honra o legado da melhor maneira

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Antes as dúvidas eram muitas. Agora podemos afirmar aos quatro ventos a certeza de que “The Last of Us” é a melhor adaptação televisiva de um videojogo. Mais importante ainda, é uma série de grande qualidade, por mérito próprio.

É certo que muito do “trabalho” estava já feito, mas Craig Mazin provou uma vez mais saber espremer o que de melhor existe no material de origem. Sempre que a adaptação incorreu por estradas ainda não percorridas, fê-lo com um propósito. A maneira como o Cordyceps comunica, a história de Frank e Bill e outros pormenores espalhados pela temporada acrescentaram algo. Nisto incluo as cold opens dos dois primeiros episódios (o talk-show com os especialistas e a médica em Jacarta, assim como a backstory da mãe de Ellie – interpretada por Ashley Jackson, voz e atriz de Ellie no videojogo).

Muito se disse e escreveu sobre o trabalho dos criadores em trazer a história para a televisão. A série acrescentou ao que já era excelente, ou tomou liberdades que não tinha direito de tomar. Considerando o historial, podíamos ficar contentes com o facto de não ser terrível… mas o público não funciona assim. Em muitos aspectos a série é quase uma fotocópia do jogo, mas é daqueles casos em que se está bem, não vale a pena mexer. Mazin, como produtor que claramente sabe o que faz, nunca iria agradar a gregos e troianos. Na minha opinião, qualquer discussão que não seja a qualidade da série, não interessa. Adaptação ou original. Cada meio é um meio e o que funciona aqui, não funciona ali. Neil Druckmann trouxe o seu bebé, Mazin ensinou-lhe novos costumes.

Após o piloto, escrevi na análise: “O produto original não tem uma história fantasiosa, superpoderes, magia ou aliens. É uma história de pessoas.” Apraz-me que ao fim de nove episódios isto tenha sido uma constante. Séries de mortos vivos há muitas, uma Ellie e um Joel, um Pascal e uma Ramsey e um elenco de convidados de elite, só há uma. De que valia ter tanto valor e desperdiçá-lo num excesso de tiroteios e fugas? Aliás, com a cena final do hospital, Joel provavelmente matou mais humanos que “Couves-flor andantes”.

Pedro Pascal está a tornar-se num verdadeiro caso de estudo. O actor parece não ser capaz de falhar. Embora ainda sem um papel no cinema ao seu nível, tem a televisão na mão, transformando em sucesso tudo em que toca. Bella Ramsey, cuja estreia na representação foi com Lyanna Mormont, tinha um papel extremamente difícil nesta adaptação, por culpa da impressão que o videojogo deixou nos fãs. Mas quer seja por ter a lingua mais afiada do Oeste, ou por todas as suas expressões serem carregadas de emoção, não há um dedo que se lhe possa apontar. Estou ansioso por ver o que fará com uma versão mais “guerrilla” de Ellie na próxima temporada.

Seria ainda muito injusto não enaltecer Nick Offerman e Murray Bartlett por um episódio perfeito de televisão, Scott Shepherd (David) e os jovens Keivonn Montreal Woodard (Sam), Nico Parker (Sarah) e Storm Reid (Riley).

The Last of Us é tudo o que os fãs do jogo queriam e a série de qualidade que os não-fãs não esperavam. Uma série com gente no topo da sua arte, dos produtores aos atores. Alegra-me também saber que os planos passam por um total de três temporadas. A duração ideal, já que seria impossível conter o segundo jogo numa só temporada. É cedo para dizer que estamos na presença da série do ano, mas considerando todo o hype que conquistou pelo mundo (foi inclusivamente a série mais vista da HBO Max na Europa, desde que o serviço foi lançado), é mais uma aposta de qualidade da HBO.

 

 

 

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Um dinossauro no mundo das séries. Coleciona Blu-Rays, adora Legos, completa jogos a 100%, devora podcasts e ama tudo que envolva não sair de casa.

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