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Cinema

Análise Black Adam – Um espectáculo esquecível

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Esta análise contém spoilers.

 

Dwayne Johnson batalhou imenso por este filme. Mais de uma década associado ao projecto, promete que é o seu maior filme de sempre, a concretização de um sonho. Quer tenha sido por o actor mais rentável do mundo ter demasiado controlo (vem a ser costume), ou porque não lhe deram a matéria-prima necessária, o resultado deixa muito a desejar. Este não é o filme que marca a carreira de Dwayne Johnson, nem pouco menos é o que salva o Universo da DC.

Continua não haver um Feige que oriente este Universo, e isso sente-se a cada filme que nasce. Não há um fio condutor, uma intenção ou plano e ninguém sabe ao certo qual a lore ou a timeline dos acontecimentos. Há egos de força maior que puxam a corda para benefício próprio e temporal, quer sejam realizadores actores ou o próprio estúdio. Numa possível batalha entre Super-Homem e Black Adam, a força mais forte é a imagem de The Rock em Hollywood. Um homem que até hoje nunca perdeu uma batalha na sua cinematografia. Como pode Super-Homem batalhar contra tal poder?! Adam é mauzinho, mas não é um vilão, a acção passa-se em Kahndaq mas não no Egipto, para não ofender susceptibilidades, tem amputações mas não há sangue, a Adrianna nos comics casa-se com Black Adam, mas Dwayne muito raramente tem reais interesses românticos nos seus filmes.

 

Cada projecto no Universo vem com a intenção de colocar um herói à vez na Penthouse da DC. Até ao próximo filme, que promete destronar o inquilino anterior (a cena pós-créditos confirma isso mesmo). Batman Vs Superman, Superman Vs Justice League, Suicide Squad vs Suicide Squad, Suicide Squad vs Peacemaker, Superman vs Flash, Superman vs Black Adam, etc. Tem de haver sempre um conflito entre heróis primeiro, até colocarem as desavenças de lado quando o despertador do vilão toca. E só há um grupo que faz vilões pior que Marvel, a DC. Quando o que dá mais que falar é o que acontece após o fim do filme, está tudo dito.

 

Dwayne Johnson diz que este filme marca uma nova fase, mas alguém sabe onde estas fases começam e acabam? Podemos sequer afirmar que isto é um Universo coeso? A única semelhança é que nenhum aprende com os erros dos anteriores. O desnorte/desinteresse em fazer algo em condições em vez de rentável é tal que uma das imagens promocionais é um spoiler para o único twist interessante do filme (quem Black Adam realmente é).

 

O filme é apresentado como a história de um anti-herói, porque este mata pessoas que disparam sobre ele e este faz mais cara de mau do que no Velocidade Furiosa? Será que os envolvidos sabem que é possível uma personagem ser negra E ter humor/carisma? O mundo gosta de Dwayne Johnson não porque ele é sisudo e antipático. Ter a maior estrela de cinema e abdicar daquilo que o faz gigante é perder antes de começar a partida. Tudo o resto em Teth Adam é a de um tradicional herói. Não há sequer grande conflito interno. Black Adam só é um anti-herói para quem acha que os maus que lutam com Batman ou Wonder Woman sobrevivem aos seus ataques com a força da reza.

 

Quanto ao resto do elenco, a maior “frescura” (estas aspas são para ser interpretadas como se tivesse colocado três pares) vem da JSA. Aldis Hodge (Hawkman) tem um papel maior do que se imaginava e, juntamente com Pierce Brosnan, que empresta carisma, têm a única relação palpável de toda a película. Sarah Shahi faz o que pode, com o sotaque que pode.

 

O resultado é um filme em que Johnson se preocupa mais em parecer cool do que em arranjar argumentistas que o façam soar cool. Um ritmo desenfreado de socos e paredes partidas, com todos os clichés imagináveis presentes. Mais um episódio que se preocupa mais em lançar um herói/relançar um Universo, do que que realmente ser um bom filme por si só. Uma história que se perde na introdução de cinco heróis, no sacrifício da maternidade, no colonialismo americano, na noção de justiça, nos limites da vingança, no recurso à ditadura militar para preservar a democracia, no debate de que os meios justificam os fins, etc. Duas horas de um espectáculo rico em efeitos especiais e cenas de acção, mas pobre em cenários (sempre que é altura de parar para respirar e conversar, as personagens voltam aos mesmos locais). O resultado é um filme sem qualquer intenção de ser desafiante ou memorável. Não fica um sabor na boca que dá vontade de revisitar.

 

COISAS QUE MAIS VALE NEM PENSAR:

 

  • No fundo, este filme tem Sokovia com recursos de Wakanda, o filho do Ant-Man com o Deadpool, a filha de Storm e Shuri, Falcon versão Medalha de Ouro, Doctor Strange versão Hugh Hefner, o vilão final de Wonder Woman e com o povo nova iorquino dos Spiderman de Sam Raimi.

 

  • A quantidade de cortes na edição, especialmente no último terço, tornam o filme ainda mais fraco. Há certos cortes que colocam os personagens imediatamente em locais diferentes, em planos consecutivos.

 

  • São apresentados quatro heróis e não sabemos nada da sua origem. É-nos apresentado um metal raro, provavelmente extraterrestre, e nada da sua origem. Mais um filme que fala dos Feiticeiros (Shazam) que controlam tudo na Terra e nada sobre a sua origem…

 

  • Se és um feiticeiro que aprisiona um ser poderoso durante cinco mil anos, mas deixas escrito no chão a palavra que o liberta imediatamente… tens de repensar as tuas escolhas na vida.

 

  • Não vou discutir origens dos comics, porque já se sabe que lá vale tudo… mas é super-refrescante que o super-herói com poderes equivalentes ao Super-Homem, tem como fraqueza uma pedra rara associada à sua origem. O futuro será os dois a dar socos um ao outro com luvas verdes e azuis, arremessando-se contra prédios ao estilo de Man of Steel. Prove me wrong!

 

  • Este filme tem três argumentistas… não, não estou a brincar.

 

  • Black Adam acorda cinco mil anos depois, acha que a televisão é feitiçaria mas ninguém questiona como é que sabe inglês.

 

  • Não é super-atencioso dos argumentistas que Black Adam tenha veja um western na televisão (estão sempre a dar filmes antigos nestes filmes), e a cena seguinte de pancadaria envolva uma cena exactamente igual a ver quem dispara mais rápido?!

 

  • O nome do nosso herói é Adão… percebem?! Porque é o primeiro/antigo. Subtil!

 

  • O miúdo/coração do filme, é fã de Black Adam e de todos os heróis, anda de skate, é inteligente, corajoso, perdeu o pai e a mãe é líder da resistência/arqueóloga. A única coisa que falta a John Karim Connor é a criança correr perigo de vida no final, obrigando o herói a repensar as suas escolhas!… ah, não, pera…

 

  • O Intergang, a força ocupadora na cidade-estado de Kahndaq, tinha apenas um míssil de Eternium no seu armazém, a única arma que realmente feriu Black Adam. Imaginem se alguém tivesse feito horas extra e tivesse fabricado um segundo míssil!

 

  • O filho de Teh-Adam é quase uma cópia do pai Dwayne. Mal este ganha os seus poderes, dirige-se ao Coliseu lá do sítio e auto-explode com tudo, matando toda a gente nas redondezas. O feiticeiro, ao perceber que este é indigno, aprisiona-o imediatamente. Como é que tudo isto fica documentado até ao tempo de Amanda Walker?! Alguém estava de binóculos ao longe a tomar notas?

 

  • Kahndaq, ocupada durante milénios por diferentes forças de ocupação, consegue manter a estátua que simboliza a sua identidade e independência. Imaginem oprimir e explorar um povo com armas e brutalidade constantes, mas deixarem aquele penedo ao alto para lhes dar esperança durante cinco mil anos.

 

  • Após três referências/piadas no filme, ficou claro para toda a gente que Hurut é electricista?! Finalmente o lobby dos electricistas toma controlo de Hollywood!

 

  • Black Adam podia, em qualquer altura, ter arremessado a coroa para o fundo do Oceano Pacífico…

 

  • Enganem-se os mais desatentos: a entidade mais poderosa deste filme é a armadura/asas do Hawkman. Indestrutível!

 

  • Se a morte é o começo da vida, porque é que este último descendente se torna no Coraçãozinho de Sabbac e o rei original não se transformou quando morreu numa situação exactamente igual? Porque deixou cair a coroa antes de morrer?! Mãos de manteiga…

 

  • Provavelmente a região mineira mais explorada do planeta, no entanto aquela a malta não encontrou a entrada de uma gruta que até tem uma estrada de acesso. Como é que Adrianna a descobriu?! Oh, lá estão vocês com perguntas…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Um dinossauro no mundo das séries. Coleciona Blu-Rays, adora Legos, completa jogos a 100%, devora podcasts e ama tudo que envolva não sair de casa.