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EPOPCULTURE SUGERE POPPY PLAYTIME

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Poppy Playtime chegou no último trimestre do ano passado cheio de mistérios: Seria este o sucessor espiritual de Five Nights At Freddy’s (FNAF)? Afinal de contas, a premissa tem bastantes semelhanças, o que se torna perigoso para este novo título que pretende marcar o seu espaço na área dos videojogos e por isso, aquando do lançamento do primeiro capítulo em Outubro de 2021, todos se focaram em Poppy Playtime e naquilo que ele tinha para oferecer, dentro do género de terror que envolve bonecos para crianças aparentemente amigáveis e fofinhos, mas que, por obra do destino, se tornam no seu pior pesadelo, algo um pouco como “se o Toy Story tivesse corrido mal?”

 

O MISTÉRIO DA NARRATIVA DE POPPY PLAYTIME

Quando nos foi apresentado o primeiro capítulo, ficámos a saber que a nossa personagem é um antigo funcionário de uma fábrica de bonecos extinta. Há dez anos que não existem notícias dos trabalhadores ou sequer do fundador da Playtime Company até que recebemos uma misteriosa cassete VHS que contém lá dentro o anúncio televisivo da empresa e acompanha com a seguinte carta: “Todos pensam que os funcionários desapareceram há dez anos atrás. NÓS AINDA ESTAMOS AQUI. Encontra a flor”, com o desenho de uma túlipa no final. No mínimo estranho e levanta automaticamente uma questão: como é que o nosso personagem não teve o mesmo destino dos restantes colegas?

Como em qualquer jogo de terror, em vez de nos dirigirmos à polícia ou fugirmos a sete pés de uma carta tão macabra (ou queimá-la antes que decida ganhar vida) o que é que decidimos fazer? Claro que já sabes a resposta. Vamos sozinhos explorar a o local abandonado e tentar encontrar respostas para este mistério. Claro que entre esta informação e percebermos que foi a pior coisa com a qual decidimos ir em frente vai muito, muito pouco e descobrimos que dentro desta fábrica, aparentemente não habitada, ainda residem as experiências macabras e pouco éticas realizadas por cientistas a mandato do seu fundador, mantendo as pessoas “vivas para sempre”. Digo isto entre aspas porque acho que já sei o que estás a pensar e sim, existe uma grande probabilidade de o Huggy Wuggy, a Poppy e todos os outros bonecos serem uma parte daquilo que anteriormente foram seres humanos, os antigos funcionários da Playtime Co. até porque neste novo capítulo existem vários itens colecionáveis com relatórios de experiências realizadas que indicam cada vez mais neste sentido.

Entre os vários quebra-cabeças deixados nos longos corredores e as perguntas que continuam sem resposta, uma coisa é certa: os bonecos estão vivos e cheios de vontade de se vingar de todos os anos em que os mantiveram em cativeiro e nós somos a única ponte com o mundo exterior para o qual querem escapar. Entre os vários cenários que vamos encontrando à nossa frente, vemos diversos bonecos partidos com manchas de sangue nas redondezas o que adensa a teoria de que os mesmos são criados de forma pouco ortodoxa e dá-nos uma maior certeza do porquê de os funcionários nunca terem saído e terem desaparecido sem deixar rasto.

Obviamente que, como seria de esperar, existem inúmeras teorias da conspiração feitas por vários jogadores para explicar estes acontecimentos, baseados em pistas que os próprios developers da MOB Games vão deixando nas cassetes VHS perdidas entre os espaços e nos easter eggs que os mais astutos vão encontrando e encaixando um a um, gerando outro enorme quebra-cabeças fora do jogo. A verdade é que esta estratégia funciona e transforma a experiência numa “caça às bruxas” do lado de fora, com todas as pessoas que gostaram deste título a tentar encontrar primeiro a derradeira resposta para o grande mistério deste universo.

 

OS “BONECOS” QUE FAZEM PARTE DESTE UNIVERSO

HUGGY WUGGY

Provavelmente o mais popular de todos os bonecos deste videojogo, o Huggy Wuggy é um dos best-sellers da empresa. Um peluche azul com braços e pernas longas, um sorriso rasgado e com muitos abraços para distribuir. Este é o primeiro inimigo que encontramos no caminho e que rapidamente se transforma numa enorme dor de cabeça, imaginem só, 5 metros de puro terror a perseguir-vos entre os corredores claustrofóbicos da fábrica. Mesmo tendo sido criado, como todos os outros, para ser amigo das crianças e dos humanos, sabemos pela experiência que algo correu mal e no final do jogo conseguimos ver uma cassete VHS onde os cientistas e os trabalhadores relatam o horror do que está a acontecer enquanto o antes querido, Huggy Wuggy, lhes dá um abraço final. Apesar de o derrotarmos (teoricamente) no primeiro capítulo, tenho a sensação de que ainda nos vamos cruzar com ele mais para a frente quando os próximos forem lançados.

POPPY PLAYTIME

A pequena e adorável Poppy foi a primeira boneca criada pela Playtime Co. para se parecer com uma menina de verdade, criando conversas orgânicas com as crianças que a compravam e não as típicas frases pré-gravadas que normalmente vemos nos seus semelhantes. Com “tecnologia avançada”, dizem eles, ela ganhou uma personalidade volátil que passa muitas vezes de tentar ser a pessoa que nos vai ajudar a escapar ilesos para no momento seguinte apresentar uma face completamente sem expressão e não nos deixar sair da fábrica. Ficamos sem perceber ao certo se temos ali uma aliada ou uma inimiga, contudo a mítica frase que a caracteriza “I’m a real girl… just like you” dá lugar a várias teorias e especulações, sendo uma delas e a mais popular a que já expliquei no início: todos os bonecos serem feitos de pessoas de verdade.

 

MOMMY LONG LEGS

Com uma aparência baseada na era do fitness dos anos 70/80, braços e pernas que esticam e moldam conforme a nossa imaginação e criatividade, a antagonista do segundo capítulo é uma verdadeira psicopata em tudo aquilo que o nome representa. Inicialmente apresentada como a figura maternal de todos os brinquedos e das crianças que visitavam a fábrica, parece-nos que essa imagem ficou presa no passado pela forma como ela tenta acabar com o protagonista ao longo dos minijogos envolvendo os seus súbditos, que quando falham a missão acabam presos na sua teia para sempre, levando-nos numa viagem muito pouco fraterna e mais assustadora do que parece à primeira vista, principalmente quando decide entrar em ação em mais uma cena de perseguição que em muito se assemelha à do primeiro capítulo, contudo bem mais difícil, longa e com direito a mais jumpscares.

 

KISSY MISSY

Muito pouco se sabe sobre Kissy Missy ainda, contudo, a participação que teve no segundo capítulo pode dar a entender que estamos perante uma versão mais amigável do Huggy Wuggy. Ela é adorável e cor-de-rosa, sendo que já tínhamos percebido a sua existência pelos posters pendurados nas paredes da fábrica. Contudo, neste último videojogo, vimos a personagem ganhar forma numa das áreas e até nos ajudou a abrir uma cancela quando estávamos num beco sem saída. Ao contrário do seu companheiro de vida, em vez de abraços distribui beijinhos a todas as crianças que cruzam o seu caminho e é quase certo que seja um aliado ou inimigo num dos próximos capítulos.

 

BUNZO THE BUNNY

O coelhinho fofo com pratos musicais nas mãos, amarelo e de aparência amigável é um dos bonecos dos minijogos que a Mommy Long Legs nos desafia a cumprir no segundo capítulo. Na zona Game Station, existiam algumas diversões para as crianças, sendo que numa delas o Bunzo é o protagonista e apresenta uma veia mais artística. No Musical Memory temos que memorizar sequências de cores e símbolos que representam notas musicais e assim concluir mais um divertido jogo num dia bem passado dentro da Playtime Co., ou então não, se os seus dias de glória já tivessem passado há mais de dez anos, como é o caso.

 

PJ PUG-A-PILLAR

Esta figura metade cão metade lagarta tem um dos minijogos mais engraçados do segundo capítulo. Nele fazemos uma espécie de “Green Light, Red Light” ou em bom português o “Macaquinho do Chinês” num longo parque de diversões enquanto o PJ nos persegue lentamente e tenta acompanhar os nossos passos. Com um pelo felpudo azul e lilás, pouco se sabe sobre a verdadeira história por trás deste boneco, ainda assim deve ser uma das figuras de destaque da fábrica, uma vez que até possuí uma atração em seu nome.

 

THE EXPERIMENT 1006

O mais enigmático e, ao que parece, antagonista principal de toda a trama. O Experiment 1006 surge pela primeira vez no final do segundo capítulo. A verdade é que só conseguimos ver uma longa garra mecânica com alguns pedaços de ossos humanos incorporados do antebraço a arrastar o corpo inanimado de Mommy Long Legs quando finalmente a derrotamos. Contudo, um dos factos curiosos é que tanto no final do primeiro como do segundo capítulo, a última cassete VHS que encontramos é a falar desta experiência que correu muito, muito mal. Uma apresenta-nos o “último registo” onde um homem fala de um protótipo que achamos ser este Experiment 1006 com alguma intensidade até ser abruptamente interrompido por uma criatura não identificada, a outra relata o que verdadeiramente aconteceu aquando do que foi narrado anteriormente, descrevendo que o tal protótipo iludiu todos os cientistas e saiu do seu cativeiro, tendo quase conseguido escapar da própria fábrica, revelando uma inteligência acima das anteriores experiências que viraram bonecos e uma capacidade de metamorfose que acredito só iremos conhecer no seu total potencial no final desta série.

 

GAMEPLAY E IMERSIVIDADE DE POPPY PLAYTIME

Acredito que uma das coisas que tornou Poppy Playtime num videojogo de sucesso foi a jogabilidade simples e acessível e os puzzles que apesar de serem de dificuldade média, nos fazem ainda perder algum tempo a tentar encontrar a sua lógica. As teclas para conseguirmos manipular o GrapPack (uma mochila que colocamos às costas no início e tem dois braços extensíveis) são o lado direito e esquerdo do rato, bem como todas as restantes que servem para interagir com o ambiente as que estamos habituados noutros videojogos de PC, o que facilita imenso tanto na imersividade como no próprio gameplay uma vez que não perdemos muito tempo com este quesito.

Os ambientes também são automaticamente um bónus e estão muito bem recriados: cores apelativas, algumas pistas que vão sendo deixadas pelo caminho que nos deixam alerta, os parques temáticos estão extremamente bem decorados, tal como se voltássemos à nossa infância e aos insufláveis ou feiras de diversões de antigamente, contudo num mundo virtual. Este reconhecimento faz também com que nos consigamos identificar com o espaço e sem dúvida que neste aspeto os designers do jogo foram bastante perfeccionistas, tal como no seu contrário ou seja, quando as coisas começam a correr mal e por dentro dos tubos de ventilação da fábrica vemos mensagens dos antigos funcionários a dizer “CUIDADO” “NÃO VENHAS POR AQUI”. A mistura entre esta dualidade de ambientes faz com que tudo se torne ainda mais enigmático e aguce mais a nossa curiosidade à medida que vamos avançando.

Contudo, não podia deixar de dizer aquela que é a minha maior crítica a Poppy Playtime. Enquanto no primeiro capítulo, apesar das semelhanças que obviamente já existiam entre este e o Five Nights at Freddy’s, notava-se que existia um esforço para o tornar único, mantendo uma certa distância entre os dois videojogos por parte da MOB Games, o que no meu caso funcionou extremamente bem e até me deixou mais curiosa para descobrir o que está por trás de tudo. Os jumpscares eram muito mais “agressivos”, em termos sonoros quando estávamos a ser perseguidos, a clareza dos passos e dos gestos do nosso inimigo enquanto batia nas superfícies estava exímio em criar o suspense propício para nos assustarmos e sinto, com muita pena minha, que perdemos um pouco desta essência no segundo capítulo.

Aqui, muitas foram as vezes que recordei cenários que já tinha visto anteriormente em FNAF Security Breach, o último lançamento da Steel Wool Studios tanto em mecânicas de jogo, como por exemplo no Musical Memory que me recordou a forma como tínhamos que fazer upgrade ao Freddy como nos cenários bastante semelhantes até nas cores que os caracterizam. Os jumpscares estão muito mais amigáveis sendo que a cara dos nossos inimigos não se “transforma” quando nos ataca. É quase como levar com um peluche extremamente fofo na cara quando menos esperamos: pode assustar ao início, mas no momento a seguir pensamos oooohhh que querido!” e obviamente que fiquei muito mais desiludida neste aspeto. Não sei se se trata de uma estratégia para abranger maior público, contudo para mim não correu como esperava.

Nota extremamente positiva para as músicas dos espaços que já se começam a tornar em ícones dentro deste género. Ao ouvirmos os primeiros acordes associamos automaticamente aquela melodia ao local em que estamos e neste aspeto estão efetivamente de Parabéns e espero que continue a ter a mesma qualidade daqui para a frente, nos próximos capítulos.

Por último, não podia deixar de falar daquela que é para mim a chave de ouro deste videojogo:   Os peluches/bonecos criados pela MOB Games para este universo. O Huggy Wuggy foi imediatamente adotado como mascote principal que saiu de dentro do mundo virtual para o lado de fora, onde existe imensa procura de merchandise por parte dos fãs. As personagens são tão carismáticas que acabaram por conquistar os corações de todos nós e não existe ninguém que acabe de jogar Poppy Playtime que não vá automaticamente à procura de um boneco ou uma T-Shirt para ter para si.

No fundo, estão os ingredientes todos escolhidos a dedo para tornar esta franquia num sucesso. Para mim, se continuarem com a mesma essência inicial, terão mais uma fã acérrima que não falhará ao chamado de ir sozinha para dentro de uma fábrica abandonada para resolver este grande mistério que parece estar ainda longe de ser resolvido.

 

 

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Metade humana, metade geek, esta espécie rara do universo gaming não dispensa uma tarde de jogatinas como nos bons velhos tempos com os vizinhos do bairro. Mal sabia ela que esta pequena paixão um dia se ia tornar num verdadeiro amor pela Cultura POP, daqueles para a vida toda. Jogos, animes, k-pop, séries, filmes, venham eles e é uma miúda feliz. Fazer gameplays é totalmente a sua praia, por isso criou o seu ninho da felicidade no Youtube, onde se dedica ao melhor hobby de todos, que a faz dar as maiores gargalhadas e permitiu encontrar a comunidade onde pertence, sem limites nem julgamentos.