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Cinema

Análise a “Uncharted” – Uma adaptação sem o ser

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[Não contém spoilers] 2022 é um ano de grandes apostas da Sony. Nas consolas são muitos os exclusivos de gabarito a estrear este ano, e no cinema é ano de Spider-Man, Morbius e Spider-verse. Uncharted junta o homem-aranha a um dos franchises mais amados da Playstation. Mas será que no fim é mais uma prova de que não se deve cruzar videojogos com cinema?

 

Uncharted cumpre o seu papel. Um divertimento descomprometido para quem não quer analisar ao pormenor todo o “ridículo” que está a acontecer. Não é física quântica, não quer ser, e quem entrar na sala a exigir isso é porque não sabe ao que vai. O que podemos esperar é um “Indiana Jones”, com traços de “Missão Impossível”, “Múmia” e “Sahara” (com Matthew McConaughey) e muito de “National Treasure (com Nic Cage) e Tomb Raider. O humor arranca alguns sorrisos, mas é principalmente o carisma de Tom Holland que prende e serve de âncora a um elenco bom, mas superficial.

 

Para quem conhece o franchise dos videojogos, o ator inglês não é de todo a escolha mais óbvia (uns 10 anos mais novo que a personagem), mas é difícil argumentar contra a escolha. Holland é um dos atores mais populares do mundo e consegue carregar bem um filme/franchise, além de que a Sony já o conhece bem. Aqui vemo-lo bem mais “inchado” a nível muscular, mas com todo o treino de aranhiço para as cenas de parkour. Por esta razão, e outras, arrisco-me a dizer que este filme foi feito mais para quem não conhece os videojogos do que para os fãs. Esses já têm o seu filme de Nathan Drake, interpretado por Nathan Fillion.

Sully e Drake, no videojogo e no filme.

 

Se é preciso saber alguma coisa do jogo para perceber o filme? Claro que não. Os filmes raramente correm riscos e evitam principalmente este. Não faz qualquer sentido do ponto de vista de alcance/financeiro e a Sony sabe-o bem. De certo modo, Uncharted o filme “empresta” o nome do videojogo, uns easter eggs aqui e ali, mas é só isso.

 

O que o filme usa e abusa é na noção de descrença de quem assiste. Ou aceitamos que um jovem sem treino consegue fantásticas proezas físicas, ou então será um serão mal passado. Ou engolimos que a cena mais famosa do filme (no avião) não obedece a qualquer lei da física, ou reviramos os olhos para a nuca e não assistimos ao último terço do filme. Aceitamos que estamos a ver um blockbuster de fácil digestão, cuja única missão é tirar-nos de casa… ou ficamos em casa. Ruben Fleischer (responsável pelo bem inferior “Venom”) não revoluciona e fabrica um filme fragmentado em localizações, com tudo o que já vimos em outros filmes do género. Zero riscos.

 

Uncharted passou por um pequeno pesadelo de produção, com constantes adiamentos nas filmagens e no lançamento nas salas, ainda assim, o resultado podia ser bem pior. Embora bastante “esquecível”, é um tempo bem passado, e dentro das adaptações de videojogos já se viu bem pior. Mas diga-se: há algo de profundamente “desnecessário” em adaptar para filme um jogo que, ele próprio, é inspirado em cenas de ação de filmes que este “Uncharted” tenta ser. A ironia não me escapa.

 

Nota: seria altamente refrescante ver novamente um filme que não tem cenas pós-créditos e/ou tenta lançar uma sequela. Era porreiro vermos algo que tivesse… como se chama aquilo…. ah sim, um fim.

 

 

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Um dinossauro no mundo das séries. Coleciona Blu-Rays, adora Legos, completa jogos a 100%, devora podcasts e ama tudo que envolva não sair de casa.